A arte de Ensinar Arte

Após cinco anos lecionando na rede pública de Juiz de Fora – inicialmente para adolescentes e depois também para adultos -, pude me aprofundar em uma das experiências mais gratificantes da vida: ensinar desenho artístico. Descobri em vários alunos a sensibilidade e um dom natural para o desenho e me sinto muito feliz por ajudá-los a desenvolver suas habilidades.

A arte é um dos caminhos para a sensibilização e o aumento da auto-estima. Muitos alunos modificam muito seu jeito de agir, passando a se sentirem mais confiantes à medida que se vêem capazes de criar e dominar uma técnica de desenho ou de pintura e isto possibilita também uma nova perspectiva de vida para quem via a arte tão distante (e, muitos nem sequer conheciam uma exposição de arte, seja de desenho, pintura, escultura ou fotografia).

Sensibilizar o jovem para a arte é um processo necessário e eficaz no combate à violência e a marginalidade, pois direcionamos a energia do adolescente ou mesmo do adulto para uma atividade que, além de ser prazerosa, proporciona uma ampliação da concentração, da atenção, ajuda a relaxar e diminuir o nível do estresse diário. O conceito do belo, a harmonia e a busca pelo equilíbrio que realizamos na atividade artística ajudam a desenvolver a emoção como a capacidade de imaginar, questionar e criticar também.

O processo de criação inicia-se paralelamente a um processo de aprendizado e desenvolvimento de técnicas, habilidades e percepção da imagem, da luz e sombra e da proporção e harmonia do conjunto desenhado. A partir do momento que se desenvolve a percepção e aprofunda-se um conhecimento do material e dos recursos utilizados na atividade artística o aluno também começa a se sentir mais seguro para criar e imaginar soluções diferentes possibilitando a execução de trabalhos cada vez mais criativos e com melhor qualidade.

Acho muito importante a valorização da atividade artística nas escolas e em outras instituições de ensino buscando o aprimoramento do ser humano e a sensibilização do educando em relação a historia da arte e o seu envolvimento com a política e as transformações ocorridas na sociedade atual.

Despertar o aspecto crítico do educando também é uma forma de torná-los mais consciente dos seus direitos e deveres, de seu papel na sociedade. Isso também possibilita o exercício da cidadania de uma forma mais plena e segura.

É necessário buscar a ampliação de espaços onde a arte possa fluir sem limites e o jovem possa desenvolver seu potencial, direcionando o aprendizado para as áreas de pintura, música, dança e todas as manifestações artísticas que possibilitam o seu crescimento e satisfação interior.

Devemos lutar para que nossos políticos iniciem uma transformação na sociedade valorizando cada vez mais a educação e a cultura e buscando através de leis de incentivo uma forma de viabilizarmos projetos culturais e cursos de formação artística e profissional.

Nossa busca pela democratização do ensino e a ampliação do acesso de nossos jovens ao ensino médio e superior está se fortalecendo mas, sabemos que a luta deverá ser contínua e cada vez mais abrangente visando também o desenvolvimento de cursos técnicos e profissionalizantes que possam ampliar a capacitação dos jovens e adultos que estão ingressando ou já estão no mercado de trabalho.

A arte é uma das portas abertas para o saber, que precisa ser valorizada e incentivada como uma alternativa eficiente e prazerosa para o desenvolvimento do cidadão e sua inserção na cadeia produtiva do nosso país.

Rose Valverde

Imagem em Destaque: Detalhe de desenho feito pela aluna de Rose Valverde, no CEM, em Juiz de Fora.