Arte: uma forma de sobrevivência

Através da arte, o homem tem preservado a sua história. Artistas de várias épocas utilizaram a arte como crítica, como exaltação do poder, como reflexão dos costumes, como preservação da memória e fatos, mas há um aspecto que vai além da característica social e política da arte: a capacidade de sobreviver da arte. Para sobreviver da arte, não basta ser criativo! O artista do terceiro milênio está envolvido com a mídia, com o marketing, com o restrito mercado da arte, necessitando muitas vezes equilibrar o seu trabalho de criação com o aspecto comercial da arte, o que nos transforma em malabaristas, presos a um tênue limite entre arte e mercadoria.

Criar, sempre esteve associado a exibir a beleza das cores e formas, mas hoje frequentemente consideramos como obra de arte a fotografia de uma criança morrendo de fome. A distância de uma câmara com o objeto focado é um traço que une fotógrafo e fotografado e, ao mesmo tempo, aproxima a prosperidade da miséria, o progresso da pobreza, a alegria da dor.

Como refletir a vida, representar emoções, fazer arte sem cair no abismo da dor, da miséria e ao mesmo tempo sem se ater somente ao fútil e ao decorativo, quando direcionamos arte como um simples objeto de decoração. Afinal, o objeto artístico é objeto somente? É arte? E se é arte qual a sua função no mundo de hoje? Qual é a função do artista no mundo de hoje?

A arte representa um aspecto da vida e o artista escolhe seu caminho entre as tendências e estilos diferentes entre o abstrato e o figurativo, entre o bidimensional e o tridimensional, entre o real e o imaginário, entre o aspecto instintivo e o aspecto contestador da sua obra. O que une as várias tendências da arte é a necessidade de expressão, mas junto dela devemos buscar também um questionamento sobre a natureza, a violência e a miséria e tentar despertar nas pessoas – e, principalmente nas crianças -, o sensível, a busca pela harmonia que começa na forma ou em sons e que pode ir se alastrando e refletir na vida, como se, aos poucos, pudéssemos pintar a terra com cores mais amenas e ao mesmo tempo vibrantes, trazendo o ritmo, o equilíbrio, a vibração para compor um quadro único visando permitir ao ser humano sonhar com um futuro melhor e não o caos em que o mundo mergulhou com a selvagem luta pela vida.

O objetivo final da arte é caminhar junto com a educação e a cultura fornecendo instrumentos e recursos adequados para evolução do homem como um todo. Enquanto nossos governantes continuarem a distribuir somente cestas básicas para minimizar a miséria sem encaminhar recursos para tornar o processo educacional uma alavanca de progresso e profissionalização não conseguiremos tirar nossas crianças da perspectiva de um futuro sombrio e violento no qual o crime e as drogas serão instrumentos de destruição e motivo de insegurança para todos nós.

Vamos fazer da VIDA uma ARTE e da ARTE UM ALIMENTO PARA A VIDA”.

Rose Valverde

Imagem em Destaque: Detalhe de desenho de aluna de Rose Valverde, no CEM, em Juiz de Fora